terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

"Lembranças"

Tive a honra de poder ler um pouco do livro da minha bisavó que ainda não está pronto. Me emocionei demais lendo as lembranças que ela relata e tive a certeza de que puxei pra ela esse meu lado emocional. Ela descreve cada detalhe de sua infância e adolescência, fala das sensações que tinha e até mesmo dos cheiros que sentia. A parte que mais me tocou foi quando ela conta que dentre todos os seus amigos, tinha um que era muito especial. Seu vizinho de fundos, Walter! Primeiro amor né, amor que deixa a gente boba e cheia de sonhos. Mas infelizmente o destino não permitiu que eles ficassem juntos ou se casassem como ela sempre sonhou, ao longo da história acontecem coisas que separam os dois. Ela acabou se casando com o meu bisavô, aos 16 anos. Casou se porque seus pais acreditavam que seria o melhor para ela, por causa de um mal entendido que ela mesma criou. Imagino o quanto foi difícil deixar para trás todas as brincadeiras e sonhos de menina, consigo imaginar o quanto ela sofreu longe da família. Mas em meio a tudo isso a bisa foi forte, foi guerreira e aguentou todas as dificuldades sozinha. Ela conta que fazia da janela do quarto um tipo de portal para voltar no tempo e nas lembranças. Percebo que com a mesma velocidade que ela ia longe com os pensamentos, ela voltava para a realidade e tentava se conformar com a vida que levava. Durante anos de casamento ela nunca esqueceu do Walter, ele sempre estava em seus pensamentos. O mais incrível é que de jeito ou de outro o destino sempre dava um jeito de unir os dois, de uma forma ou de outra eles sempre se esbarravam. Enfim, depois de alguns anos seu marido, meu bisavô, o homem com o qual ela se casou conseguiu uma casa aqui na Vila Militar e então lá estava ela de volta ao lugar onde vivera sua infância, sendo vizinha de fundos do Walter, novamente. Eles são almas gêmeas, sem dúvidas. O destino fez questão de separar pra depois unir. Em meio a tudo isso ela conclui que sabe que poderia ter sido diferente, reforça também que na adolescência é que se aprende a tomar decisões e se não tomarmos decisões por nós mesmos corremos o risco de andar as cegas pela vida afora, por coisas mal resolvidas do passado. Tenho a minha bisavó como um exemplo e tanto. Sou fã dela, fã das histórias, conselhos e sábias palavras!

Nenhum comentário:

Postar um comentário